... E O HOMEM CRIOU DEUS!

Um dia a paz reinava no mundo e tudo era belo e silencioso.



Deus criou o homem e ficou feliz.

Ele com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos.




E o homem criou Deus.

Um Deus que avança na ambição, que recolhe dinheiro em sacolas, que desmata, queima, aprisiona.

Um Deus que grita, estanca, polui, que mata.



Onde está o verdadeiro Deus?

O Deus que me deixa pegar frutas no cerrado, observar os pássaros da florestas, os animais nos pampas.
Comer jatobá, macaúba, mangaba, barú, ananais, pequi, araticum e gabiroba.

Saborear amoras colhidas na ribanceira, os veludos e azedinhas nos grotões da mantiqueira.



Eu quero o meu Deus de volta. Ele sim é capaz de transformar a sua propria criação para inverter o invertido, e fazer para mim um mundo mais divertido. Com pessoas que sorri, que conta história, que pula e se emociona.



Eu quero de volta o meu Deus...


Paulo Freitas/2010





quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A JABUTICABEIRA

Um dia eu plantei uma jabuticabeira no meu quintal e quando ela soltou as primeiras folhinhas sob os meus cuidados, pensei: - Puxa, vai demorar sete anos para que eu possa colher algumas frutinhas dessa árvore... E a árvore cresceu um pouco. No ano seguinte já soltava os primeiros galhos e eu já aproveitava de sua sombra. Todos os dias eu a via com folhinhas novas, a refrescava com água fresca e a saudava com palavras de ordem: - Cresça logo, seja forte! Meus filhos vendo-a forte e vigorosa começaram a cuidar dela também. E ela cresceu e tantas coisas aconteceram. Depois de um trágico momento de minha vida e passar por uma quarentena no hospital, voltei para casa deprimido e achei que não podia mais cuidar da minha jabuticabeira, mas ela respondeu com uma nuvem branca de flores perfumadas e me saudou com uma palavra de ordem: - Seja Forte! Você um dia ainda vai subir nos meus galhos para colher os meus frutos. E assim foi...Ontem eu amarrei a rede em um de seus galhos, aproveitando de sua sombra, fechei os olhos preguiçosamente e pensei: - Um dia eu te plantei pequenina e afaguei suas pequenas folhas e hoje você me sustenta em teus braços. Desculpe por não ter braços tão grandes para acariciar toda a sua grandeza. Só posso dizer: - Muito obrigado... E ela respondeu com um silencio misterioso de paz, e eu adormeci sentindo o afago do frescor do balançar de suas folhas.

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