... E O HOMEM CRIOU DEUS!

Um dia a paz reinava no mundo e tudo era belo e silencioso.

Deus criou o homem e ficou feliz.
Ele com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos.


E o homem criou Deus.
Um Deus que avança na ambição, que recolhe dinheiro em sacolas, que desmata, queima, aprisiona.
Um Deus que grita, estanca, polui, que mata.

Onde está o verdadeiro Deus?
O Deus que me deixa pegar frutas no cerrado, observar os pássaros da florestas, os animais nos pampas.
Comer jatobá, macaúba, mangaba, barú, ananais, pequi, araticum e gabiroba.
Saborar amoras colhidas na ribanceira, os veludos e azedinhas nos grotões da mantiqueira.

Eu quero o meu Deus de volta. Ele sim é capaz de transformar a sua propria criação para inverter o invertido, e fazer para mim um mundo mais divertido. Com pessoas que sorri, que conta história, que pula e se emociona.

Eu quero de volta o meu Deus...

Paulo Freitas/2010



quinta-feira, 26 de abril de 2012

HISTÓRIAS NO SESC BERTIOGA



Guiados pela vontade de conhecer o SESC Bertioga, viajamos numa terça-feira rumo ao litoral sul.
O tempo começara bom, iniciamos a viagem por volta das dez horas da manhã e o sol tentava mostrar o seu rosto tímido no céu ainda meio cinzento. Numa parada no restaurante, já na Via Dutra, uma rápida chuva nos livrou do perigo de estar na estrada.
A estrada estava tranqüila e o conforto do GPS nos guiou com algum desacerto até os portões do nosso destino.
Chegamos ao recanto de lazer  dos SESC por volta das quatorze horas, e o cansaço da viagem não nos deixou observar a grandiosidade daquela colônia. Toda recoberta por uma flora nativa, as praças insistiam em se cobrir de folhas, dando aos jardineiros trabalho redobrado na coleta  e na limpeza.
Com um pequeno “tour” depois da portaria, seguimos direto par o restaurante, pois o avançar das horas nos trazia certo vazio  e uma vontade imensa de alimentação.
Conhecer o apartamento foi a penúltima atividade da tarde, pois logo  descobrimos uma lista de atividades diárias, oferecidas pelo  complexo,  que atendiam a todas as idades e gostos,  começando pelas brincadeiras infantis passando por atividades esportivas e físicas  terminando  com trilhas e passeios em pontos ecológicos  e históricos da cidade.
Um rápido passeio na praia nos presenteou com os últimos raios de sol e o seu poente mostrou-nos as belezas das paisagens que circundam a região montanhosa desta cidade.
Um passeio descrito  como trilha das águas estava previsto para quarta-feira  (no dia seguinte) a partir das oito horas da manhã, onde a proposta era de conhecer o ponto de captação de água que abastece toda a estrutura SESC Bertioga. Inscrevemos-nos.
Ainda tínhamos a noite:  conhecemos as lojas, salão de jogos de mesa, informática e auditório e fomos dormir ansiosos para o grande passeio da manhã do dia seguinte.
Amanheceu com um  dia meio chuvoso, o céu cinzento insistia em nos fazer desistir do passeio. O café da manhã nos fez criar mais energia e decidimos que nada nos faria desistir do nosso intento.
Carregando na  mochila água, capa de chuva, boné máquina fotográfica, filmadora e uma fruta, enfrentamos o chuvisqueiro para alcançar a  marquise do restaurante onde o ônibus já estava a postos.
O trajeto do ônibus até o Rio itapanhaú (pedra preta mole) por onde fizemos a travessia, foi rápida e tranqüila. O tempo parecia que ia dar uma trégua, mas os mosquitos insistiam em perturbar o sossego dos trilheiros. Uma boa borrifada de repelente amenizou os males e seguimos em frente.
O clima era de muita expectativa e alegria. Apesar do tempo chuvoso, todos estavam dispostos e com muitas questões sobre todo aquele ambiente novo onde éramos colocados a caminhar.
A equipe do SESC que nos guiava era formada por um Engenheiro Florestal Sr. Juarez, técnica ambiental Sra. Luciana  e um grande conhecedor da região chamado Roberto, mais conhecido como “Queijão” que diz a lenda que quando pequeno era conhecido como “Polenguinho”.
A marca registrada do Mangue é a presença da vegetação diferenciada com raízes submersas e a fauna onde predomina diversas espécies de caranguejo. O mangue era quem dá nome ao Rio, pois o barro preto que prevalece como suporte às plantas e aos animais, era chamado pelos  índios tupis como “pedra  preta  mole”, isto é itapanhaú.
Transpassado o mangue, e mata de restinga, chegamos a outro tipo de vegetação, mais densa   com a predominância de árvores mais altas e palmeiras,  que conforme os nossos especialistas e guias, era a famosa mata atlântica.
A riqueza da flora destas matas nos deixou boquiabertos. Ao longo da trilha podemos observar inúmeros tipos de avencas, samambaias e bromélias.  Muitas espécies de palmeiras e a típica “banana de macaco” que alem de alimento pode ser usada  como planta medicinal.
A beleza da cobertura do solo esconde pequenos insetos e muitas espécies de repteis e anfíbios, que no nosso cotidiano nem pensamos em encontrar. Um olhar atento e observador pode-se descobrir coisas fantásticas.
A terra úmida pelas  gotículas da chuva liberava em nós um cheiro gostoso da relva, que transcendia o nosso olfato para criar em nossas mentes um gostoso retorno à infância, trazendo de volta lembranças das brincadeiras nas corredeiras barreadas das chuvas nas encostas de terra vermelha recém-lavrada para plantação.
De repente alguém encontrou um pequeno animal que transitava pela trilha aos pulos e comunicou ao “Queijão”.
- Roberto, tem um sapinho estranho aqui!
- É uma  perereca. É da família das Polypedatidae, mais conhecida como mini-perereca – disse o Roberto. - Tem muitas espécies delas nesta mata. Existem outras espécies como a Phylomedusa que são muito estudadas no Brasil pelas cores nacionais. São as pererecas verde-amarelas, tão pequenas como o dedo da nossa mão.
Seguindo a trilha das águas, as estórias foram sendo contadas. O  Engenheiro Florestal Sr. Juarez, falou sobre  a influência do SESC Bertioga na vida dos moradores desta cidade. A preocupação incessante em relação  ao meio ambiente, o SESC foi buscar na montanha a captação da água para abastecer colônia  e promover consorcio  com a Prefeitura no  controle do meio ambiente.
O tratamento do esgoto também é uma prioridade do SESC Bertioga, que devolve ao rio a água com 90 % de pureza, com recursos próprios.
O final da trilha é o ponto de captação de água. Como um oásis que de repente surge no deserto, no alto da montanha surgiu uma casinha feita em alvenaria com uma pequena infraestrutura para abrigar um segurança e equipes de manutenção que  permanece vigiada 24 horas por dia. Água pura para os cantis, banheiro para as necessidades básicas e até um cafezinho feito no fogão de lenha  com gosto e  cheiro de casa de caboclo.
Incrustada ao pé de uma pequena cachoeira, a  captação de água é feita por duas tubulações: uma antiga e outra mais recente por onde a água é captada pura no alto da montanha,  fresquinha e transparente como na bica  na nascente.
Na volta, descendo trilha abaixo,  fomos premiados com um banho de cachoeira de vinte minutos que valeu como um exorcismo da poluição que contaminava o nosso corpo. Voltamos tranqüilos  para a sede da colônia do SESC, mais  puros e mais conscientes sobre o  mundo em  que vivemos e sobre a preservação do meio ambiente.
No SESC, as histórias de Bertioga, são contadas através dos passeios como o que aconteceu no dia seguinte quando participamos da trilha do Rio Jaguareguava (Onde a onça bebe água), um dos afluentes do Rio Itapanhaú.
Neste dia o tempo colaborou um pouco deixando o céu mais aberto e com poucas nuvens. O translado com ônibus demorou um pouco mais e a trilha, bem mais curta, seguiu direto floresta de encosta da serra do mar pela mata atlântica. Aos poucos nos embrenhando pela mata e ouvindo histórias e lendas contadas pelo Guia e ex palmiteiro  Genivaldo, que entre outras nos contou  sobre o tempo em que participava efetivamente das coletas ilegais do palmito Jussara que antes eram exploradas por “palmiteiros” profissionais, hoje pela lei é preservada e faz a beleza no interior da mata.
No  final da trilha existe  um amontoado de tijolos com estrutura em concreto, bem às margens do Rio Jaguareguava. Segundo o nosso Guia Genivaldo, neste lugar funcionava um ”porto de areia” onde os empresários invadiam a mata preservada e sugava do leito do Rio areias de construção, interferindo no seu curso, na vida aquática e na mata ciliar protetora das margens e na vida da cidade. Com a aplicação da Lei e a fiscalização dos órgãos competentes os empresários foram expulsos e a natureza seguiu seu curso.
Neste passeio tivemos a oportunidade de conhecer com mais intensidade a exuberância da flora local e influencia do SESC no crescimento do turismo local e  na vida dos caiçaras, que encontrou nesta instituição novas oportunidades de trabalho e de vida.
Entre as histórias de Bertioga está inserida também a História do desenvolvimento e da interiorização  do Brasil que envolve os índios Tupinambás, os navegadores portugueses e o Padre Anchieta. 
Foi num passeio histórico liderado pelo pesquisador Carlos Eduardo de Castro, o Cadú, que viajamos pelos caminhos do Forte de São João  onde nos anos de 1531, travaram-se grandes lutas entre os Tupiniquins e os Tupinambás ( índios antropófagos) que eram aliados dos franceses na ocupação do litoral brasileiro. Entre uma história e um poema, a nossa imaginação voava  séculos no tempo e a descoberta pela verdadeira história do Brasil nos envolvia com lendas pitorescas com nomes como Hans Staden, um alemão aventureiro que ajudou na defesa no nosso território dos franceses e que foi comido pelos índios.
A nossa imaginação viajava ainda pelos arcos e flechas e das grandes invasões europeias,  quando o nosso  Cadú navegou pelos Porões das embarcações escravagistas  e trouxe à tona o tempo do comércio de escravos e fechou com a beleza do poema de Castro Alves: “O Navio Negreiro”, ambiente nacional que deu sequencia ao ciclo econômico do Brasil da Cana de Açúcar.
Voltamos para a Colônia com uma visão diferente da nossa história e com um desejo enorme de aproveitar também os dias de calor que o astro rei nos proporcionou nos últimos dias de nossa estada, que nos glorificou com a saúde do corpo, purificação da alma  e engrandecimento da mente.

Paulo Freitas
Janeiro / 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PADRE JEAN: DOIS ANOS DE ORDENAÇÃO



Para falar de uma pessoa é preciso muito senso e muita atenção. Para falar de um padre, a  sensibilidade deve ser multiplicada.
Hoje é um dia especial, e nós fomos escolhidos para homenagear um padre  que antes de tudo é uma pessoa. Uma pessoa que está construindo uma história de dedicação religiosa  principiada na corajosa Nação do Haiti.
O país do Haiti sofreu no mês de janeiro de 2010  um grande terremoto causando grandes danos em sua capital  Porto Príncipe e em outros locais da região.  Muitas vidas foram ceifadas e muito do seu patrimônio destruído.
No meio a tanta tragédia, este país  dava neste mesmo período, de presente ao mundo, a ordenação de um jovem padre que tinha a missão  como sua principal meta e a juventude como seu principal rebanho a ser pastoreado.  E o Brasil tirando a sorte grande,  foi o anfitrião deste missionário, o Padre Jean, que após uma temporada no Estado do Acre, chegou a nossa comunidade com muita disposição para o trabalho e para crescer como ser humano e como igreja.
Aqui fez muitos amigos, conquistou muitos corações e formou nesta  região  um bloco de alegria que fez desta paróquia uma das mais atuantes de Campinas.
O padre Jean, que completa hoje 2 anos de ordenação, prima pela sua alegria de viver e pelo sorriso sempre presente e dentro de sua cultura haitiana, agregou às suas preferências musicais e artísticas o forró, que representa o nosso nordeste brasileiro.
Como reflexão, deixamos um pensamento do Padre Antonio Vieira: “Para falar ao vento bastam palavras. Para falar ao coração, é preciso obras”.
Obrigado Padre Jean, que a sua alegria seja contagiante e contamine  com o vírus do bem os nossos corações e as nossas vidas.

Parabéns!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A LONGA ESPERA


Fiquei sozinho a pensar, que hora deves voltar
Mas este tempo não passa, por mais coisas que eu faça
Meu Deus, que demora, e você  por este mundo afora
Logo de manhã foi embora, onde deve estar agora?

Este  silêncio  me choca, o telefone que não toca
A vida ficou Vazia, sozinho sem companhia
A casa sem movimento, viajando no pensamento
E se algo acontecer, e se ventar ou chover

Um acidente na estrada, talvez uma ponte quebrada
Meu coração fica tenso, sem  controle do que penso
No ruído do silencio, o meu pulsar é imenso
Repicam batidas fortes, chego a pensar em morte

Um carro bateu a porta, mas é lá fora que importa!
Mas já é uma esperança, o meu esperar não se cansa
Já vai terminar a novela, meus Deu onde estará ela?
Desde cedo foi embora, onde deves estar agora?

O portão está se abrindo, que alivio estou sentindo
Vou encontrá-la correndo, um abraço requerendo
Que bom que você chegou, meu coração sossegou
Fique sempre juntinho assim, você é tudo prá mim...

Paulo Freitas
Dez/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESSÊNCIAS DE MULHER

A mulher em sua essência
é um constante transitar de sentimentos.
Muda de humor a todo o momento,
viaja nos desejos do pensamento.

A mulher em sua existência,
contradiz com sorte as leis da  natureza.
Quando os físicos criaram as grandezas,
Não mensuraram  sua  beleza.

Num desfilar insinuante de modelo,
deslumbra o olhar  e a formosura.
Nobres gestos de sutil candura,
enobrecem sua alma pura.

O olhar meigo encanta com carinho,
e a sensualidade surge graciosa,
sensibiliza com o cheiro da rosa,
um  beijo no amante doce carinhosa

O relógio desperta o sono calmo,
 Os movimentos rotineiros do  farto dia.
Parcos raios de luz os olhos desviam,
e o sono que resta ela renuncia.

Um carinho terno com as mãos afaga,
o filho  querido que ressona inerte.
Mulher-mãe que em seu sangue verte,
Cuidar do pequeno lhe diverte.

Seu caminhar impera no silencio,
a elegância de um monumento branco.
Luvas acépticas quebram seu encanto,
Soros injetáveis indolentes prantos.

A palavra calma se abre num sorriso,
o afago carinhoso sem a  luva agora.
A mulher ternura escondida aflora,
num abraço gostoso que o doente implora.

Paulo Freitas – Nov/2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O CAMINHO DA VIOLÊNCIA

São oito horas da noite de um domingo. Uma garota  despede-se de suas amigas e se afasta da lanchonete em direção a sua casa. Gostaria de ter ficado mais  com as amigas, mas os compromissos na segunda-feira lhe impedem abusar do horário. Perdida em seus pensamentos, lembra que no dia seguinte terá uma entrevista de trabalho. Apesar dos seus dezesseis anos e muita responsabilidade. O seu único defeito é gostar de se divertir, de tomar cerveja e conversar com as amigas. De longe alguém a observa. Dois homens que acompanharam  sua saída da lanchonete,  a seguem rua abaixo. Um deles se adianta e a ultrapassa, ela se assusta  quando ele passa, pois a encarou com um olhar medonho.
Depois de dez minutos de caminhada, a um quarteirão de sua casa, ao passar por um terreno ermo, o homem que a ultrapassou  há pouco,  sai da penumbra da noite e a interpela impedindo-a  de continuar o seu trajeto. Ela tenta se safar, mas o segundo homem chega e a agride, impedindo-a de gritar apontando uma faca em sua direção.
Com palavras de ordem e muita agressividade, os homens a arrastam pelo terreno baldio e neutralizam os seus movimentos, abusando do seu corpo sexualmente, um de cada vez até satisfazerem totalmente seus instintos animalescos. Fugiram depois  abandonando-a desacordada com as vestes rasgadas e muitos ferimentos pelo corpo.
Não tiraram a sua vida, mas tiraram de sua vida todos os sonhos de juventude. Ficaram marcadas para sempre em sua mente aquelas agressões como sequencia de traumas emocionais que afetaram seu comportamento físico e o psicológico.
As marcas da brutalidade ficaram em seu rosto em forma de cicatrizes. Marcas mais profundas ficaram em seu coração e na sua mente. Os seus sonhos se tornaram doentes e inseguros. Os medos cavaram abismos nos caminhos de sua vida.
Aqueles  homens, ou talvez animais travestidos de homens, certamente continuarão por aí a fazer vitimas. Eles, na sua concepção de vida, certamente não encontram outras maneiras de mostrar suas libidos. As suas mentes criminosas se formaram em ambientes propícios  para a discórdia onde o amor é apenas uma falsidade para enganar suas tendências instintivas. As pessoas, para eles, são como coisas ou objetos que servem para serem usadas, consumidas e descartadas como lixo ou restos de alimento.
Aqueles homens, frutos de uma sociedade decadente, sem valores, sem critérios e sem limites, fundamentam suas vidas no prazer do agora. Cultivam vícios  e modelos  que determinam o espelho para os seus descendentes, construindo um buraco negro na sociedade onde o medo e o crime imperam como únicos caminhos a seguir.
Aquela jovem, criança nos desejos, adolescente nos sonhos e adulta nas  responsabilidades, era talvez a esperança de um modo de vida de salvação dessa sociedade onde a família está em ruína. Ela seria talvez o fio da meada em busca da solução para violência em que o jovem caminha cada vez mais para o fim do poço em busca de drogas cada vez mais  baratas e cada vez mais mortais. Esta droga que detona as mentes infecciona os relacionamentos e mata precocemente a motivação da vida.
A família, a maior prejudicada em todo processo, sofre a perda de um ente querido e cobra ação da justiça que acumula processos e presos em CDPs a espera de soluções. Esta justiça, sem meios, e sem critérios que só é justa para vitimas com bons advogados. E libertadora  para criminosos com grandes contas bancárias.
Enquanto isso a impunidade impera nas comunidades, nas classes medias e nas classes dominantes. O grande poder de dominação dos criminosos e contraventores faz proliferar e multiplicar de forma geométrica os vetores do crime. Os governantes que têm nas mãos o poder da mudança fabricam leis que facilitam  o crime, criam jurisprudências que libertam criminosos e legislam em causa própria para desviarem verbas que poderiam mudar um pouco o panorama e o futuro desta sociedade.
Que Deus, a única esperança dos bem- intencionados, possa ouvir os clamores dos crentes e dos fiéis, e implante um pouco mais de sentimentos bons nos corações dos homens para que estes passem a enxergar o outro  como irmão e não como mero coadjuvante de uma história.
Paulo Freitas
Set/2011

domingo, 21 de agosto de 2011

MINHA BARBIE MORENA

Em 1959, exatamente no dia 09 de março, no estado da Califórnia nos Estados Unidos,  nascia a Barbie, a  boneca  mais esbelta do mundo.  Dezessete dias depois, no dia 26 de março,  numa pequena cidade próxima a Poços de Caldas, chamada Divinolândia, nascia Maria Beatriz,  a morena mais determinada do mundo.
Conta a história  que esta morena, com apenas 12 anos, já morando na cidade de Campinas, estudava no Colégio Bento Quirino e mexia com os corações dos garotos,  seus contemporâneos. Mais de uma testemunha corroborou esta informação demonstrando que ela  deixou marcas profundas na memória de seus admiradores.
Apesar de sua origem simples, Maria Beatriz buscou estar sempre entre os melhores e assim conquistou cada vez mais o seu espaço  na comunidade, na sua escola e no seu trabalho. Contando sempre com o grande apoio de sua mãe e grande companheira, caminhou sempre na direção de seus objetivos e com garra os abraçou e conquistou.
Em um dia comum na volta do meu  trabalho, conheci esta morena, que me chamou a atenção pela sua inteligência e independência. No primeiro momento meus olhos enxergaram apenas uma amiga, que como eu, iniciava-se na vida acadêmica e se preparava para uma caminhada em busca de mais uma meta a alcançar.
Com poucos meses de convivência  este olhar já passou a enxergar em seus olhos  um sorriso contaminante e convidativo. Ela não tinha a esbelteza da Barbie, não tinha a beleza global, mas tinha algo que mexia  com minha alma e convertia em desejo  de estar e de ficar junto um pouco mais.
Bastou um momento mais íntimo e meu sangue foi contaminado: o primeiro beijo trouxe com ele o vírus da paixão. E daí tivemos contar mais que meses, foram contados anos de encontros e desencontros que se somaram  seis e depois  mais vinte e mais  cinco que se somaram trinta e muitos que se somarão...
Na sua vida de determinação, Maria Beatriz não realizou alguns sonhos, ainda, mas se depender  somente dela, com certeza vai buscar até o último sonho sonhado.
E eu, como simples coadjuvante desta história, não quero apenas ser aquele que segura a lanterna para iluminar os caminhos, quero sim ser aquele,  que de mãos dadas , determina a opção na ora da dúvida.
Beatriz, quero dizer que sou muito orgulhoso de ter participado um pouco de sua caminhada.
Eu te amo demais.

Parabéns e ...
Um grande beijo

Paulo Freitas
26/03/2010.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

VIDA CIRÚRGICA - O COMEÇO DO MEIO


Era meia noite de uma quarta-feira de clima ameno e a paz reinava em nossa casa.  De repente, uma dor abdominal, que surgira no começo da tarde e insistia em corroer as minhas entranhas noite adentro, deixou-me muito aflito. Direto para a emergência do hospital Centro Médico, uma consulta. A minha querida companheira, que acabara de chegar do trabalho, foi quem me acompanhou em mais esta etapa. A sua calma, como sempre, tentava me fazer tranquilo, mas as dores aumentavam e eu não conseguia me segurar.
- Precisamos investigar – disse o médico que estava de plantão naquele turno. – Vamos fazer exames de sangue, urina, radiografia, ultra-sonografia e tomografia computadorizada.
Tudo foi feito às pressas para saber o porquê do meu intestino não estar fazendo seu curso completo, ficar obstruído e trazer tanto desconforto ao organismo todo.
- Quantos anos o senhor tem? Já fez outras cirurgias? Alimenta-se bem? Fuma? Usa bebida alcoólica? Infelizmente vamos ter de internar para uma intervenção cirúrgica. O senhor sabe dos riscos? Quem está acompanhando o senhor? Tem que ser imediatamente. Vamos encaminhá-lo para o setor, o senhor pode ir sozinho?
 - Quatrocentos e dez. Já está reservado para o senhor. Pode aguardar que a moça vem lhe buscar.
As palavras iam sendo assumidas, as ordens cumpridas parecendo que eram rotinas conhecidas que levavam a um destino também conhecido.
Ao meu lado, a minha grande companheira disfarçava o seu choro para me deixar mais confiante. A nossa tristeza refletia outras situações já passadas no mesmo hospital. No entanto, agora levavam a riscos maiores e as expectativas podiam não ser muito boas.
Foram seis dias de ações involuntárias, toleradas por uma força interior que superou todas as expectativas. Agora sentado no sofá da sala, eu vejo o ambiente e digo: não parece que aconteceu tudo.  Meus amigos se revezam a me visitar, cada um de sua forma trazendo um conforto a mais. O telefone toca e mais uma resposta: minha missão não terminou, eu ainda tenho muitas alegrias a viver e muitas ações a fazer.
Eu ainda preciso achar um jeito de mostrar ao mundo que a maneira certa de viver é amando. Amar a cada momento de vida, a cada situação de alegria, a cada filho, a cada amigo, a cada almoço, a cada lanche, a cada poesia, a cada crônica escrita, a cada livro lido, a cada história contada.
Eu quero deste meu jeito simples de viver poder mostrar que a paz só existe se for acompanhada de um bom relacionamento. Relacionar-se bem com as pessoas é ser sincero o bastante para agradar e ser fiel o bastante para conquistar.
Eu sei que ainda tenho muita coisa a fazer: quem sabe conhecer um pouco mais sobre Deus, um pouco mais sobre a natureza, um pouco mais sobre os animais, um pouco mais sobre os homens. Tudo sobre mim. Sei que ainda estou no começo do meio e muito longe do fim.
Tenho plena convicção que a minha vida ainda está plena e ativa. Se eu não posso cavucar a terra para plantar a semente, eu posso com certeza aspergir água nas plantas já crescidas.  Se eu não posso colher e transportar os frutos, eu posso com certeza reunir as pessoas para o banquete.
E quero ainda conhecer um mundo mais justo. Que as pessoas olhem umas para as outras com o desejo de que sejam felizes.  Que as pessoas se vejam no outro e possam compartilhar conhecimento, espaço, carinho, afeição, aconchego e amor. Que elas, em cada degrau do seu poder e em cada piso de sua subordinação, possam ser justas nas ordens e inteligentes no cumprimento, justas nas ações  e coerentes na aceitação, justas com a natureza e inteligentes com a vida.

Paulo Carvalho de Freitas
Agosto de 2011