... E O HOMEM CRIOU DEUS!

Um dia a paz reinava no mundo e tudo era belo e silencioso.



Deus criou o homem e ficou feliz.

Ele com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos.




E o homem criou Deus.

Um Deus que avança na ambição, que recolhe dinheiro em sacolas, que desmata, queima, aprisiona.

Um Deus que grita, estanca, polui, que mata.



Onde está o verdadeiro Deus?

O Deus que me deixa pegar frutas no cerrado, observar os pássaros da florestas, os animais nos pampas.
Comer jatobá, macaúba, mangaba, barú, ananais, pequi, araticum e gabiroba.

Saborear amoras colhidas na ribanceira, os veludos e azedinhas nos grotões da mantiqueira.



Eu quero o meu Deus de volta. Ele sim é capaz de transformar a sua propria criação para inverter o invertido, e fazer para mim um mundo mais divertido. Com pessoas que sorri, que conta história, que pula e se emociona.



Eu quero de volta o meu Deus...


Paulo Freitas/2010





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ENCONTRO DE GERAÇÕES

Um vazio de silencio ecoa nos ruídos dos palavreados e a voz miúda do anfitrião cambia simples e tímida na intenção de agradecer tamanha homenagem ora prestada ao sexagésimo aniversário de vivencia. Os olhos úmidos pela sinceridade das palavras causaram emoção nos corações dos fraternos presentes que num desabafo replicou uma grande salva de palmas. O segundo de seis filhos de um casal de sertanejos, ele ainda traz nas palavras os sotaques e trejeitos do jeitão de caipira que muito o orgulha. Amante da música sertaneja raiz e das danças típicas como o catira e a chula, busca a alegria de viver em toadas que o seguiram pela infância afora e o conduziram em caminhos de caráter e retidão. Lembra-se com muito orgulho, das responsabilidades de trabalho designadas pelo pai na lida do café e das hortaliças que fora os dois grandes esteios da manutenção e da fartura da família. Recorda-se com tenacidade de grande auto-estima dos momentos em que, na ausência do pai, tomara atitudes de liderança na posição de filho mais velho, como no momento de mudança radical dos rumos da família, quando ao término do contrato da cultura do café, foram obrigados a tomar o caminho da cidade para buscar a sobrevivência em tempos de êxodo rural. Com dezenove anos incompletos, formação escolar primária e uma vivencia apenas rural, foi titulado pelo pai como ator principal de teatro de ações que começara na entrega do sitio, a venda dos animais e até a viagem levando a família em definitivo para morar em Campinas. Moço de linhagem simples e cultura sem privilégios aprendeu com o pai que o trabalho é tudo para o homem, que o caráter, o respeito e a responsabilidade permeia o palco de qualquer relação, e que o pódio de cada conquista depende da determinação e da confiança com que se encara o jogo. No acúmulo de troféus e vitórias, enumera-se grandes eventos importantes como a escolha da grande companheira que trilhou e direcionou os caminhos da vida a dois; o nascimento das duas filhas que enfeitaram, movimentaram e deram sobrevida ao casamento dos dois que fora traçado e escrito nas estrelas. Outros momentos a enumerar foi o nascimento dos netos, que entre os reveses, encontros e desencontros, foram recebidos dentro de lares cheios de amor e harmonia e com o compartilhamento e humildade conquistaram a educação e a disciplina que precede o exemplo e o modelo dos pais. Campinas foi o palco deste grande encontro. Presentes a matriarca, todos os irmãos, filhas, genros, netos, sobrinhos, cunhados, primos e amigos. Este reencontro de família foi infinitamente lindo e marcante para todos, pois lembra momentos de alegria quando ainda tinha viva a presença do pai entre todos. Lembra também o desencontro, quando foi preciso deixar os fraternos em Campinas e buscar em Fernandópolis a independência financeira. A grande distancia da família raiz por quase vinte anos veiculou a necessidade de atitudes de vida que engrandeceram as experiências, elevaram as motivações e criaram novas histórias, pitorescas ou não, mas que deverão ser contadas nas prosas do cotidiano e nos teatros familiares onde as platéias com certeza serão de netos e bisnetos e estarão atentos aos detalhes das lembranças e aos cabelos brancos que hão de povoar a sua cabeça, o disco rígido armazenador de memórias, onde hoje com certeza ainda sobram espaços e muitos gigabytes para preencher.

Um comentário:

  1. Esta é uma simples homenagem a um irmão que teve a vida sem privilégios e viveu com tamanha intensidade que não teve tempo de envelhecer. Aos sessenta anos nem grisalho está. Vida longa para ele.

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