... E O HOMEM CRIOU DEUS!

Um dia a paz reinava no mundo e tudo era belo e silencioso.



Deus criou o homem e ficou feliz.

Ele com a sua sabedoria, encantou as florestas com os pássaros para entoar nossos ouvidos com suas melodias; vislumbrou as montanhas com rios e cachoeiras para encantar nossos olhos; acendeu o sol com a sua luz de energia para regenerar a vida; soprou a brisa para acalentar a luz do sol. E a natureza respondeu produzindo alimentos.




E o homem criou Deus.

Um Deus que avança na ambição, que recolhe dinheiro em sacolas, que desmata, queima, aprisiona.

Um Deus que grita, estanca, polui, que mata.



Onde está o verdadeiro Deus?

O Deus que me deixa pegar frutas no cerrado, observar os pássaros da florestas, os animais nos pampas.
Comer jatobá, macaúba, mangaba, barú, ananais, pequi, araticum e gabiroba.

Saborear amoras colhidas na ribanceira, os veludos e azedinhas nos grotões da mantiqueira.



Eu quero o meu Deus de volta. Ele sim é capaz de transformar a sua propria criação para inverter o invertido, e fazer para mim um mundo mais divertido. Com pessoas que sorri, que conta história, que pula e se emociona.



Eu quero de volta o meu Deus...


Paulo Freitas/2010





sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A LONGA ESPERA


Fiquei sozinho a pensar, que hora deves voltar
Mas este tempo não passa, por mais coisas que eu faça
Meu Deus, que demora, e você  por este mundo afora
Logo de manhã foi embora, onde deve estar agora?

Este  silêncio  me choca, o telefone que não toca
A vida ficou Vazia, sozinho sem companhia
A casa sem movimento, viajando no pensamento
E se algo acontecer, e se ventar ou chover

Um acidente na estrada, talvez uma ponte quebrada
Meu coração fica tenso, sem  controle do que penso
No ruído do silencio, o meu pulsar é imenso
Repicam batidas fortes, chego a pensar em morte

Um carro bateu a porta, mas é lá fora que importa!
Mas já é uma esperança, o meu esperar não se cansa
Já vai terminar a novela, meus Deu onde estará ela?
Desde cedo foi embora, onde deves estar agora?

O portão está se abrindo, que alivio estou sentindo
Vou encontrá-la correndo, um abraço requerendo
Que bom que você chegou, meu coração sossegou
Fique sempre juntinho assim, você é tudo prá mim...

Paulo Freitas
Dez/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESSÊNCIAS DE MULHER

A mulher em sua essência
é um constante transitar de sentimentos.
Muda de humor a todo o momento,
viaja nos desejos do pensamento.

A mulher em sua existência,
contradiz com sorte as leis da  natureza.
Quando os físicos criaram as grandezas,
Não mensuraram  sua  beleza.

Num desfilar insinuante de modelo,
deslumbra o olhar  e a formosura.
Nobres gestos de sutil candura,
enobrecem sua alma pura.

O olhar meigo encanta com carinho,
e a sensualidade surge graciosa,
sensibiliza com o cheiro da rosa,
um  beijo no amante doce carinhosa

O relógio desperta o sono calmo,
 Os movimentos rotineiros do  farto dia.
Parcos raios de luz os olhos desviam,
e o sono que resta ela renuncia.

Um carinho terno com as mãos afaga,
o filho  querido que ressona inerte.
Mulher-mãe que em seu sangue verte,
Cuidar do pequeno lhe diverte.

Seu caminhar impera no silencio,
a elegância de um monumento branco.
Luvas acépticas quebram seu encanto,
Soros injetáveis indolentes prantos.

A palavra calma se abre num sorriso,
o afago carinhoso sem a  luva agora.
A mulher ternura escondida aflora,
num abraço gostoso que o doente implora.

Paulo Freitas – Nov/2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O CAMINHO DA VIOLÊNCIA

São oito horas da noite de um domingo. Uma garota  despede-se de suas amigas e se afasta da lanchonete em direção a sua casa. Gostaria de ter ficado mais  com as amigas, mas os compromissos na segunda-feira lhe impedem abusar do horário. Perdida em seus pensamentos, lembra que no dia seguinte terá uma entrevista de trabalho. Apesar dos seus dezesseis anos e muita responsabilidade. O seu único defeito é gostar de se divertir, de tomar cerveja e conversar com as amigas. De longe alguém a observa. Dois homens que acompanharam  sua saída da lanchonete,  a seguem rua abaixo. Um deles se adianta e a ultrapassa, ela se assusta  quando ele passa, pois a encarou com um olhar medonho.
Depois de dez minutos de caminhada, a um quarteirão de sua casa, ao passar por um terreno ermo, o homem que a ultrapassou  há pouco,  sai da penumbra da noite e a interpela impedindo-a  de continuar o seu trajeto. Ela tenta se safar, mas o segundo homem chega e a agride, impedindo-a de gritar apontando uma faca em sua direção.
Com palavras de ordem e muita agressividade, os homens a arrastam pelo terreno baldio e neutralizam os seus movimentos, abusando do seu corpo sexualmente, um de cada vez até satisfazerem totalmente seus instintos animalescos. Fugiram depois  abandonando-a desacordada com as vestes rasgadas e muitos ferimentos pelo corpo.
Não tiraram a sua vida, mas tiraram de sua vida todos os sonhos de juventude. Ficaram marcadas para sempre em sua mente aquelas agressões como sequencia de traumas emocionais que afetaram seu comportamento físico e o psicológico.
As marcas da brutalidade ficaram em seu rosto em forma de cicatrizes. Marcas mais profundas ficaram em seu coração e na sua mente. Os seus sonhos se tornaram doentes e inseguros. Os medos cavaram abismos nos caminhos de sua vida.
Aqueles  homens, ou talvez animais travestidos de homens, certamente continuarão por aí a fazer vitimas. Eles, na sua concepção de vida, certamente não encontram outras maneiras de mostrar suas libidos. As suas mentes criminosas se formaram em ambientes propícios  para a discórdia onde o amor é apenas uma falsidade para enganar suas tendências instintivas. As pessoas, para eles, são como coisas ou objetos que servem para serem usadas, consumidas e descartadas como lixo ou restos de alimento.
Aqueles homens, frutos de uma sociedade decadente, sem valores, sem critérios e sem limites, fundamentam suas vidas no prazer do agora. Cultivam vícios  e modelos  que determinam o espelho para os seus descendentes, construindo um buraco negro na sociedade onde o medo e o crime imperam como únicos caminhos a seguir.
Aquela jovem, criança nos desejos, adolescente nos sonhos e adulta nas  responsabilidades, era talvez a esperança de um modo de vida de salvação dessa sociedade onde a família está em ruína. Ela seria talvez o fio da meada em busca da solução para violência em que o jovem caminha cada vez mais para o fim do poço em busca de drogas cada vez mais  baratas e cada vez mais mortais. Esta droga que detona as mentes infecciona os relacionamentos e mata precocemente a motivação da vida.
A família, a maior prejudicada em todo processo, sofre a perda de um ente querido e cobra ação da justiça que acumula processos e presos em CDPs a espera de soluções. Esta justiça, sem meios, e sem critérios que só é justa para vitimas com bons advogados. E libertadora  para criminosos com grandes contas bancárias.
Enquanto isso a impunidade impera nas comunidades, nas classes medias e nas classes dominantes. O grande poder de dominação dos criminosos e contraventores faz proliferar e multiplicar de forma geométrica os vetores do crime. Os governantes que têm nas mãos o poder da mudança fabricam leis que facilitam  o crime, criam jurisprudências que libertam criminosos e legislam em causa própria para desviarem verbas que poderiam mudar um pouco o panorama e o futuro desta sociedade.
Que Deus, a única esperança dos bem- intencionados, possa ouvir os clamores dos crentes e dos fiéis, e implante um pouco mais de sentimentos bons nos corações dos homens para que estes passem a enxergar o outro  como irmão e não como mero coadjuvante de uma história.
Paulo Freitas
Set/2011

domingo, 21 de agosto de 2011

MINHA BARBIE MORENA

Em 1959, exatamente no dia 09 de março, no estado da Califórnia nos Estados Unidos,  nascia a Barbie, a  boneca  mais esbelta do mundo.  Dezessete dias depois, no dia 26 de março,  numa pequena cidade próxima a Poços de Caldas, chamada Divinolândia, nascia Maria Beatriz,  a morena mais determinada do mundo.
Conta a história  que esta morena, com apenas 12 anos, já morando na cidade de Campinas, estudava no Colégio Bento Quirino e mexia com os corações dos garotos,  seus contemporâneos. Mais de uma testemunha corroborou esta informação demonstrando que ela  deixou marcas profundas na memória de seus admiradores.
Apesar de sua origem simples, Maria Beatriz buscou estar sempre entre os melhores e assim conquistou cada vez mais o seu espaço  na comunidade, na sua escola e no seu trabalho. Contando sempre com o grande apoio de sua mãe e grande companheira, caminhou sempre na direção de seus objetivos e com garra os abraçou e conquistou.
Em um dia comum na volta do meu  trabalho, conheci esta morena, que me chamou a atenção pela sua inteligência e independência. No primeiro momento meus olhos enxergaram apenas uma amiga, que como eu, iniciava-se na vida acadêmica e se preparava para uma caminhada em busca de mais uma meta a alcançar.
Com poucos meses de convivência  este olhar já passou a enxergar em seus olhos  um sorriso contaminante e convidativo. Ela não tinha a esbelteza da Barbie, não tinha a beleza global, mas tinha algo que mexia  com minha alma e convertia em desejo  de estar e de ficar junto um pouco mais.
Bastou um momento mais íntimo e meu sangue foi contaminado: o primeiro beijo trouxe com ele o vírus da paixão. E daí tivemos contar mais que meses, foram contados anos de encontros e desencontros que se somaram  seis e depois  mais vinte e mais  cinco que se somaram trinta e muitos que se somarão...
Na sua vida de determinação, Maria Beatriz não realizou alguns sonhos, ainda, mas se depender  somente dela, com certeza vai buscar até o último sonho sonhado.
E eu, como simples coadjuvante desta história, não quero apenas ser aquele que segura a lanterna para iluminar os caminhos, quero sim ser aquele,  que de mãos dadas , determina a opção na ora da dúvida.
Beatriz, quero dizer que sou muito orgulhoso de ter participado um pouco de sua caminhada.
Eu te amo demais.

Parabéns e ...
Um grande beijo

Paulo Freitas
26/03/2010.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

VIDA CIRÚRGICA - O COMEÇO DO MEIO


Era meia noite de uma quarta-feira de clima ameno e a paz reinava em nossa casa.  De repente, uma dor abdominal, que surgira no começo da tarde e insistia em corroer as minhas entranhas noite adentro, deixou-me muito aflito. Direto para a emergência do hospital Centro Médico, uma consulta. A minha querida companheira, que acabara de chegar do trabalho, foi quem me acompanhou em mais esta etapa. A sua calma, como sempre, tentava me fazer tranquilo, mas as dores aumentavam e eu não conseguia me segurar.
- Precisamos investigar – disse o médico que estava de plantão naquele turno. – Vamos fazer exames de sangue, urina, radiografia, ultra-sonografia e tomografia computadorizada.
Tudo foi feito às pressas para saber o porquê do meu intestino não estar fazendo seu curso completo, ficar obstruído e trazer tanto desconforto ao organismo todo.
- Quantos anos o senhor tem? Já fez outras cirurgias? Alimenta-se bem? Fuma? Usa bebida alcoólica? Infelizmente vamos ter de internar para uma intervenção cirúrgica. O senhor sabe dos riscos? Quem está acompanhando o senhor? Tem que ser imediatamente. Vamos encaminhá-lo para o setor, o senhor pode ir sozinho?
 - Quatrocentos e dez. Já está reservado para o senhor. Pode aguardar que a moça vem lhe buscar.
As palavras iam sendo assumidas, as ordens cumpridas parecendo que eram rotinas conhecidas que levavam a um destino também conhecido.
Ao meu lado, a minha grande companheira disfarçava o seu choro para me deixar mais confiante. A nossa tristeza refletia outras situações já passadas no mesmo hospital. No entanto, agora levavam a riscos maiores e as expectativas podiam não ser muito boas.
Foram seis dias de ações involuntárias, toleradas por uma força interior que superou todas as expectativas. Agora sentado no sofá da sala, eu vejo o ambiente e digo: não parece que aconteceu tudo.  Meus amigos se revezam a me visitar, cada um de sua forma trazendo um conforto a mais. O telefone toca e mais uma resposta: minha missão não terminou, eu ainda tenho muitas alegrias a viver e muitas ações a fazer.
Eu ainda preciso achar um jeito de mostrar ao mundo que a maneira certa de viver é amando. Amar a cada momento de vida, a cada situação de alegria, a cada filho, a cada amigo, a cada almoço, a cada lanche, a cada poesia, a cada crônica escrita, a cada livro lido, a cada história contada.
Eu quero deste meu jeito simples de viver poder mostrar que a paz só existe se for acompanhada de um bom relacionamento. Relacionar-se bem com as pessoas é ser sincero o bastante para agradar e ser fiel o bastante para conquistar.
Eu sei que ainda tenho muita coisa a fazer: quem sabe conhecer um pouco mais sobre Deus, um pouco mais sobre a natureza, um pouco mais sobre os animais, um pouco mais sobre os homens. Tudo sobre mim. Sei que ainda estou no começo do meio e muito longe do fim.
Tenho plena convicção que a minha vida ainda está plena e ativa. Se eu não posso cavucar a terra para plantar a semente, eu posso com certeza aspergir água nas plantas já crescidas.  Se eu não posso colher e transportar os frutos, eu posso com certeza reunir as pessoas para o banquete.
E quero ainda conhecer um mundo mais justo. Que as pessoas olhem umas para as outras com o desejo de que sejam felizes.  Que as pessoas se vejam no outro e possam compartilhar conhecimento, espaço, carinho, afeição, aconchego e amor. Que elas, em cada degrau do seu poder e em cada piso de sua subordinação, possam ser justas nas ordens e inteligentes no cumprimento, justas nas ações  e coerentes na aceitação, justas com a natureza e inteligentes com a vida.

Paulo Carvalho de Freitas
Agosto de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

FRATERNIDADE E A VIDA NO PLANETA

O equilíbrio mora na natureza. As plantas e os animais se harmonizam numa transferência de energia que faz a alegria do seu Criador.
O homem, criatura ambiciosa, buscando sem limites o poder, desafia o seu próprio Criador e entra em conflito com a criação.
Ronca a motosserra nas mãos do perverso homem. Um veio de dor decepa o cerne da frágil árvore ceifando-lhe uma vida centenária.
Com os braços abertos ela implora pelo planeta, mas o homem impiedoso a faz tombar para o fim.
Decepam-lhe os braços, as pernas o corpo, deixando-a sem respiração, sem chance, sem vida.
Atrás de si vai ficando um cenário triste, um cemitério de vidas verdes. Deitadas sobre o solo úmido que um dia estará seco e árido pela falta da cobertura vegetal.
Tratores e caminhões, os grandes  monstros que arrastam e engolem cada pedaço de vida  e em cada corte jorram seivas de lágrimas.
Pequenos animais correm alvoroçados ao se sentirem ameaçados pela clareira da mata e se embrenham numa fuga desesperada, deixando para trás os ninhos, os filhotes e o seu mundo.
Vão se as árvores, fica o desequilíbrio. A chuva fica escassa, o solo desertifica.
O homem vibra, a natureza chora. Chora toda a criação de Deus que geme em dores de parto, pelos descaminhos do mundo.
A árvore chora, o planeta implora, por mais fraternidade entre os homens, que são criaturas do mesmo Criador.
A árvore tomba, e o homem zomba e busca desenfreadamente uma porção a mais de poder, faz derreter as geleiras dos pólos, destrói as camadas de ozônio, envenena as águas e adoece  a terra.
O planeta geme as dores do parto. Um parto de alto risco. E o Pai  Criador, ao lado do leito da UTI, grita pela Fraternidade e a Vida no Planeta

Paulo Freitas
Julho 2011
Sociedade São Vicente de Paulo

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ORAÇÃO ESCOTEIRA

Quando pensamos na nossa existência e nos colocamos como inquilino deste mundo, sentimos como fonte de energia a presença do Criador.
Quando vimos estas maravilhas que nos são oferecidas, sentimos um grande desejo de agradecer:

- Obrigado Senhor pela vida: que nos faz participar, compartilhar e sentir cada momento.

- Obrigado Senhor pelo céu e pelas matas, a grandeza do firmamento.

- Pela beleza dos pássaros, pela maravilha das paisagens, pelo fruto, pelo alimento.

- Obrigado pelas águas que simboliza o nascimento.

- Obrigado pela terra, que faz o crescimento.

- Pela eternidade da vida e pelo seu acolhimento.

MEU DEUS

Queremos na simplicidade do nosso ser,
Pedir-Lhe para interceder:

Na harmonia da natureza,
Impondo aos homens o limite do poder.

Na viabilidade da família,
Mostrando a Fraternidade,
O carinho e motivos para crescer

Na solidariedade dos homens
Dando-lhes amor a oferecer.

Abençoe Senhor a humanidade dando-lhes a consciência da preservação,
do comprometimento com a vida,
do compromisso com a paz.

Abençoe também nossos jovens,
que toda esperança nos traz.

Amém...

Paulo Freitas
03/06/2011